let it be

De vez em quando eu penso nela.

De vez em quando a imagem da risada alta invade minha cabeça, demonstrando algum tipo de saudade pelas noites frias que já não são mais reais. De vez em quando o perfume, ora doce ora veneno, me encontra no meio da rua e eu olho pros lados, só pra reafirmar que ela não está mais ali. Não é romântico e tampouco é bonito, só é o desenrolar do jogo. Diversas pessoas passaram por mim e outras eu nunca chegarei a conhecer, mas de todos os dias que me riscam no calendário, de vez em quando tenho vontade de parar de pensar nela e a ver. E contar meus dias, desabafar novas piras. Vontade de ouvir seus novos problemas e os novos corações que ela roubou.

Trocar outros livros. Trocar alguns cigarros.

De vez em quando eu penso nela, assim como Sal pensou em Dean. Assim como diversos outros pensaram, olhando pelo retrovisor do carro, o quão estranho é perder de vista alguém que se ama. Alguém que tem tanto de você. Novas canções e novos poemas virão e se você resolver voltar e não me achar, é porque na verdade eu vou estar ali, na outra grande rota mãe, com um mapa nas mãos, te esperando. Mas a estrada é grande demais e as rodas não param de se sujar de asfalto… Assim como penso nela, penso também que ela não mais existe, e continuo a rodar.

Espero que diferente de Dean, você encontre a pira que te guia. E, por favor, nunca a perca.

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Attraversiamo

Existe uma época em que você não vai mais conseguir descrever quem é, e no meio dos clichês e dos amigos pré-moldados, você se pergunta alucinadamente onde está a pessoa que você conhecia.

Não há mais amores. Não há mais cadernos preenchidos avidamente. Não há mais talento.

Quando esse dia chega, acompanhado de agosto, você começa a olhar quem você foi: louco beatnik, apaixonado por sotaques e covinhas e inocentemente crente em toda forma humana de vida. Um aventureiro, um profeta, um poeta. Você nunca foi nada disso. Você não é nada disso. Talvez seja preciso olhar para trás, em uma época limpa de influências, para descobrir quem você se tornou – por baixo das regras do mercado.

Será que agora você faz parte do sistema ou o sistema é você?

A verdade, é que somos o que acreditamos. E eu acredito no Tom. Eu acredito em Caio e também em Bukowski. Eu acredito em Harry e eu acredito no Supertramp. Eu acredito em Moriarty, sobretudo, eu acredito em Moriarty.

Do lado B de londres ao Velho Moriarty que uma vez Sal se permitiu escrever; não importa qual seja a mudança que aconteça, desde que ela exista. Um brinde ao comodismo acomodado dos que se acomodaram e a lei máxima que impera: do not sink.