Attraversiamo

Existe uma época em que você não vai mais conseguir descrever quem é, e no meio dos clichês e dos amigos pré-moldados, você se pergunta alucinadamente onde está a pessoa que você conhecia.

Não há mais amores. Não há mais cadernos preenchidos avidamente. Não há mais talento.

Quando esse dia chega, acompanhado de agosto, você começa a olhar quem você foi: louco beatnik, apaixonado por sotaques e covinhas e inocentemente crente em toda forma humana de vida. Um aventureiro, um profeta, um poeta. Você nunca foi nada disso. Você não é nada disso. Talvez seja preciso olhar para trás, em uma época limpa de influências, para descobrir quem você se tornou – por baixo das regras do mercado.

Será que agora você faz parte do sistema ou o sistema é você?

A verdade, é que somos o que acreditamos. E eu acredito no Tom. Eu acredito em Caio e também em Bukowski. Eu acredito em Harry e eu acredito no Supertramp. Eu acredito em Moriarty, sobretudo, eu acredito em Moriarty.

Do lado B de londres ao Velho Moriarty que uma vez Sal se permitiu escrever; não importa qual seja a mudança que aconteça, desde que ela exista. Um brinde ao comodismo acomodado dos que se acomodaram e a lei máxima que impera: do not sink.

Em algum dia, de algum mês, de 2006.

– Promete sentir minha falta?

– Eu não faço promessas, você sabe.

– Promete, Tom…

– Eu vou. Todo dia. Todo o dia, até você voltar.

– E se eu não voltar?

– Então eu viverei dessa saudade por todos os dias que ainda me sobrarem, acreditando que assim poderei ficar mais perto de você.