“Hello, I’m Johnny Cash”

June,

Será que é errado isso? Eu te procurar aqui depois de tanto tempo, como se esses meses não tivessem passado? Eu não acho que seja errado, sabe, porque errado mesmo é eu sentir tanta saudade de você e não vir aqui falar contigo. Será medo? Será essa minha vontade louca de afastar as pessoas? Não sei mais. Na verdade, ultimamente não ando sabendo de mais nada. A questão é – e eu quero deixar isso bem claro pra você – que dezenas de pessoas passaram pela minha vida desde que eu te conheci, e eu devo ter me apaixonado por umas duas nesses últimos tempos… Sabe, partido o coração nesses becos estranhos que a vida nos apresenta –  mas de alguma forma, meu pensamento sempre volta para você. Pras nossas conversas, pras coisas que você me fala e me empolga, e por toda essa loucura que é a nossa relação. Aliás, que relação? A gente não sabe. Mas com certeza há algo aqui. A gente se encontrou, estando ambos perdidos. E ainda estamos, June. Nunca direi que você ajuda a acalmar a confusão em mim, muito pelo contrário! Você a intensifica, atormenta! Porque você, justamente, faz parte dela. E não digo isso de uma forma romântica, digo isso pela verdade: você me ensinou que quando se gosta de alguém, tipo amor assim mesmo, não é preciso estar o tempo todo com a pessoa. Não é preciso saber de cada movimento ou sorriso. Só é preciso que os dois se conheçam, e saibam onde voltar. E eu sempre vou voltar por você, porque de alguma for, você é uma parte de mim. Não uma metade diferente que me completa, mas um pedaço meu ousado, com uma mente criativa e grandes sonhos. E eu sei que apareci aqui do nada te falando um monte de coisa, mas eu sou assim e você me conhece. Adoro vir aqui e te atordoar com milhões de palavras aspirantes à alguma carta perdida de madrugada, e tentar te conquistar aos pouquinhos com um jeito meio ga-ga-gago de escrever. Sinto dizer, June, que eu não vou mudar. Tenho tentando mudar há tanto tempo, e ser tantas outras pessoas, que hoje percebo que de todo mundo que eu já fui, me sinto melhor sendo a pessoa que eu sempre tentei esconder: eu. Meio babaca, meio forte, meio errado, sim, concordo, mas sincero. Meu coração sempre bate descompassado do tempo real, percebendo tarde demais certas coisas, e sem muita vontade de correr atrás de ninguém, mas ele é grande June, é sério. E nele cabe toda essa falta que você me faz, e todos os planos que ainda podem ser feitos.

Com cigarros e vodka. E Jack Kerouac. E você e eu.

Att, Johnny Cash.

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