Pra preencher aquele silêncio.

Hei you,

Eu não sei como começar isso aqui. E, enquanto escrevo, imagino quantas outras pessoas já começaram cartas falando isso: eu não sei. Talvez seja mesmo o melhor jeito de começar, já que no momento esse é o termo que melhor descreve os barulhos confusos e gritantes que andam passeando pelos meus pensamentos ultimamente. Provavelmente você está com ela agora. Tudo bem, não me sinto mas tão mal em saber disso. Ela te fez bem, certo? Isso é bom.  A verdade é que as coisas pareceram acontecer durante tanto tempo, mas simplesmente foi tudo tão rápido. Você veio, eu imaginei um monte de coisas, confundi um pouco a realidade, e logo depois você foi. Foi, não foi? Eu nunca sei… Mas não é sobre isso que quero falar agora, nem sobre a saudade que vive aportando em uma música ou outra. Talvez eu queira falar dos meus erros com você. Talvez eu não tenha realmente tantos erros assim, mas eles existiram, e eu fico revivendo-os de tempos em tempos. Só quero dizer, sem nenhum julgamento ou segunda intenção, que o que eu mais sinto falta era do que a gente tinha: leve, divertido, sem compromisso. Tudo bem, eu estraguei tudo gostando demais de você, eu sei. Não vou ser hipócrita e vir aqui pedir desculpas, porque seria apenas modéstia. Gostei, gosto. Até quando? Não tenho resposta. Mas, acima de tudo, acima da saudade que eu sinto da sua voz com sotaque, ou do seu perfume já preso nas suas roupas, acima de tudo isso; eu sinto falta daqueles dias, madrugadas, de conversas tolas. De brincadeiras. Talvez eu tenha confudido tudo. Eu realmente tenho essa incrível habilidade de imaginar e correr atrás de algo improvável. Eu só não sei o que fazer agora. E na verdade, nada deve ser feito. Mas essa é a parte mais difícil.

E se ninguém lhe disse isso hoje ainda, saiba que você é incrível. Realmente é.

Sempre, Ana.